25 de março de 2009

Ideias às colheradas


Depois de um dia longo, muito longo, preciso de um pouco de tempo para mim, só para o meu descanso e só para esticar os pés e sentir-me completamente à vontade. Aproveito e estico as ideias que me passam pela cabeça e depois dá em coisas fantásticas como pensar naquela vez em que me apercebi que ao colocar os talheres no escorredor da loiça tive pena quando vi que uma colherzinha de chá tinha sido colocada numa outra divisão do escorredor que não era a mesma onde estavam todos os outros talheres. Apercebi-me da tristeza de deixar a colherzinha ali sozinha, abandonada... peguei nela e coloquei-a junto de outras colheres, nomeadamente entre duas colheres de sopa, porque achei que estas dariam bons pais para aquela colher tão pequena e indefesa. Sequei o lava loiças com um pano, coloquei o pano em cima da loiça e dos talheres e pensei que sabe-se lá até que ponto qualquer coisa, até mesmo a mais inanimada não precisará de companhia e de estar numa qualquer posição de harmonia. Pensei nisto. Pensei nas colheres. Pensei em mim. Pensei na insanidade e nos corações moles dos simples. Pensei também que se a minha vida fosse tomada por uma colher, que fosse por uma colher bem cheia de gelado com sabor a menta e chocolate. E não é que foi? Deus, a pequena colher e os familiares talheres ouviram-me. Pelo menos é o que sinto, sinto que fui ouvida e abençoada, sobretudo nesta altura em que me sinto tomada por sentimentos de extrema felicidade.

23 de março de 2009

Regresso do primo David




O meu primo David esteve a jantar cá em casa há uns dias atrás e, como sempre, passamos sempre umas horas de conversa ora mais animada ora mais compenetrada e confidencial. Depende do tópico, mas a verdade é que a conversa flui sempre muito bem. Há sempre esta ou aquela novidade e aquele tópico mais ou menos 'nerd' que entendemos na perfeição, justamente por nessa parte estarmos em perfeita sintonia. Desta vez o jantar foi Escalopes Cordon-Bleu com massa e molho de cogumelos. A sobremesa foi um pudim de leite creme com noz a enfeitar. Definitivamente, ando numa onda de noz e de 'nós'. Ando possivelmente a sentir algo que vou denominar de 'sensação-de-clima-altamente-social'. É de facto, coisa boa de se sentir. Dá-me vontade de cozinhar e de continuar a experimentar coisas novas e de dá-las a provar a toda a gente.
O jantar foi apreciado e a conversa durou até bem perto das duas da manhã. Fala-se sempre sobre tanta coisa. E rimos sempre tanto, por tudo e por nada. Vale mesmo a pena sentirmo-nos felizes.

20 de março de 2009

O regresso dos bombons

No sábado passado voltei a oferecer bombons (dos meus). A pedido de dois elementos de uma família gigantesca, voltei a meter-me na minha fábrica de chocolate para confeccionar mais uns bombons que, pelo que sei, ficaram bem bons. Desta vez experimentei fazer duas variedades, uns com chocolate meio amargo e noz e outros à base de bolacha Maria, nozes picadas e leite condensado. Depois, tratei de arranjar umas caixas na Loja do Gato Preto et voilá, foi este o resultado. Pessoalmente, os meus bombons preferidos são uns minúsculos que se vendem nos supermercados e que têm um pequeno creme no seu interior. São os bombons da minha vida! Outros de confecção mais elaborada não são muito o meu género, mas pelos vistos, quando os faço e ofereço, desaparecem numa questão de dias, senão horas... Fico contente e sinceramente dá-me gosto meter-me na cozinha e preparar estas pequenas surpresas, feitas com tanto carinho e amor. Em breve, vou encomendar as formas para fazer bombons com recheio de menta ou licor. Talvez esses bombons fiquem mais parecidos com os tais 'bombons da minha vida!' que encontro no supermercado. Entretanto, nunca a vida me soube tanto a chocolate. E como é maravilhoso! Caso para lembrar aquela célebre canção que começa assim: I believe in miracles...
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9 de março de 2009

Sete coisas que me fazem sorrir e dar uma gargalhada



Encontrei há pouco num 'blog vizinho' esta pergunta: quais as sete coisas que me fazem sorrir? Achei curioso que fossem só sete, pois na verdade há pouca coisa que não me faça sorrir, nem que seja um bocadinho. Há, inclusive, coisas que por serem tão más ou ridículas até me dão vontade de dar uma valente gargalhada. Sorrir é coisa pouca, há sempre aquele som que emito, aquele riso que sai cá para fora, quando mais ou menos espero. É coisa deste feitio que já está por tudo, especialmente para rir seja do que for. De forma que, no meu caso em particular, julgo muito mais apropriado nomear sete coisas que me fazem sorrir e outras sete que me fazem dar uma gargalhada. Não tenho ainda ideia do que vai sair daqui, mas acabo de combinar comigo própria que irei escrever as primeiras ideias que me vierem à cabeça. Está bem. Combinado. Parece-me bem. Ora vamos lá então...
Quais as sete coisas que me fazem sorrir?
1- ouvir um piano afinado
2- ouvir uma música que apela aos meus sentimentos
3- ver desenhos animados
4- comer uma sandes de torresmo quando chego a casa
5- beber água quando estou cheia de sede
6- ver e brincar com crianças
7- ver alguém (mesmo um total desconhecido) ganhar um prémio

E agora...
Quais as sete coisas que me fazem dar uma gargalhada?
1- falar com a Dª Olívia sobre namoros de antigamente, subir a àrvores, e o 'episódio do fogão'
2- relembrar episódios da minha infância e adolescência
3- alguém que desafine quando canta
4- ler a poesia erótica que um tímido rapaz aqui da terra escreve e partilha com os amigos
5- alguns programas de televisão: ex: Talk sex with Sue ou Dr. Phil.
6- estar com os amigos
7- a falta de sentido de humor de algumas pessoas

E é tudo. São de facto estas algumas das coisas que me fazem sorrir e dar gargalhadas e, no fundo, ser uma rapariga alegre e feliz por ter o privilégio de sentir tanta vida dentro de si.

6 de março de 2009

Descansa em Paz e Alegria, Afonso

Ainda ontem, quando passei por aqui, olhei para ti, Afonso. Pensei que passados dois meses, é ridículo quando uma pessoa passa a ser de repente, só uma foto, uma imagem de alguém. Pensei em ti, sem te conhecer, sem ter alguma vez falado contigo, ouvido o teu riso, o teu timbre de voz ou conhecido os teus gestos, tiques e manias. Pensei em ti. Talvez me tenhas dado um sinal de que havias partido e alcançado, finalmente, a paz e o descanso. Soube notícias tuas há pouco. Encontraram o teu corpo num rio, em Berlim. Imagino o sofrimento da tua família, amigos e companheiros que rezavam por ti e que alimentavam a esperança de um dia regressares bem a casa. Imagino a sua dor, o seu desespero e a sua tristeza. Imagino que o dia de hoje, cheio de nuvens lhes traga ainda mais neblina e vazio aos corações. Mas há qualquer coisa em mim que me diz que, por alguma razão muito forte e, que o coração de qualquer um de nós não consegue conceber, partiste porque assim tinha de ser. Desconheço as razões do Alto, para essa partida inesperada e tão súbita, mas há mesmo qualquer coisa que me diz que estás aí porque Deus precisava de ti, com urgência e para pores em prática algo incrivelmente bom. A tua missão era afinal uma outra, eternamente especial. Paz à tua alma, Afonso e um beijinho com todo o meu coração virado para o céu, que sei que te acolheu com todo o Amor e alegria.

"Natural de Oliveira de Azeméis, Afonso Tiago, de 27 anos, foi visto pela última vez às 03H40 da madrugada de 10 de Janeiro, junto da estação ferroviária de Ostbahnhof, Berlim, onde se despediu de um amigo, dizendo-lhe que ia a pé para casa, a cerca de 15 minutos de caminho, mas nunca lá chegou."

5 de março de 2009

Flores deste Inverno


Liguei há pouco para a Quinta de Miraventos, para encomendar as flores que marcam este meu inverno, para além das rosas de cor champagne: Ranunculus asiaticus e dianthus. Como são bonitas estas espécies e como ficam bem, em conjunto. Estas flores dão sorte, dão alegria a quem as recebe e dão, sobretudo, uma sensação maravilhosa de coração preenchido. O meu coração sente esta vontade imensa de oferecer flores a toda a gente e acho que nem o carteiro se vai escapar de levar um bouquet dentro da sacola, da próxima vez que parar perto da minha porta. A primeira vez que vi estas flores, fiquei apaixonada por elas e nunca mais deixei de pensar nelas e de querer oferecê-las. São, de facto, lindas, coloridas, alegres, elegantes e simples. Não têm a nada a esconder e têm tudo para oferecer, a sua beleza e a sua cor maravilhosa. No sábado, de manhã bem cedo, lá estarei na Quinta, pronta a receber as flores e a prepará-las para oferecê-las, com duzentas gramas do meu coração tipo açúcar em pó que vou espalhar ao de leve nas flores. Que inverno este, tão surpreendentemente primaveril.

26 de fevereiro de 2009

Feliz aniversário, Danny Winehouse!

Foi um dia ou melhor, noite de anos inesquecível. O meu Daniel fez anos no dia 22 e nesse mesmo dia celebramos o seu aniversário, em clima de festa de Carnaval. Regressámos ao velho Airense, o local onde os bailes de fim de semana e até umas mini matinés de cinema fizeram as delícias da nossa adolescência. Hoje em dia, o Airense é um local onde se faz de tudo um pouco, desde dar abrigo aos velhos e menos velhos que há anos lá vão beber uns copos ao balcão, até servir de ginásio ou local para se fazer umas 'private parties' da vida airada. O Daniel teve a brilhante ideia de festejar os seus 26 anos neste local tão histórico que até temos o Prof. Hermano Saraiva a viver bem perto dele. Verdade, verdadinha. De forma que a festa foi uma rica festa, com amigos e amigas e primas e vizinhas e abafadinhos e bifanas e risotas e gargalhadas e matraquilhos e vestidos coloridos e perucas e bolos que a São-que-coitada-estava-engripada enviou e mais não sei o quê que nos deixou a todos muito alegres. O Daniel estava uma Amy Winehouse fantástica. Que curvas, meu amigo. Caso para dizer que, os vinte e seis anos estão a render, pelas curvas e, especialmente por essa pessoa tão especialmente alegre, amiga e de bom coração que tu és. Parabéns, por tudo e pelo que em ti há-de vir e ser partilhado.

20 de fevereiro de 2009

Hat on!


Tenho andado o dia inteiro a pensar no The Full Monty. Este é mais um dos filmes da minha vida, por várias razões, pela boa energia que transmite, pelo espírito de companheirismo sempre presente e por dar a sábia ideia que o que está mal hoje, pode amanhã estar bem, basta que deitemos tudo ao ar... neste caso, vai mesmo literalmente tudo ao ar. As pessoas, em geral, têm por hábito queixar-se das suas características, ou porque têm as linhas demasiado esguias, ou porque já ultrapassaram o concebível numa balança, ou porque são assim ou assado, ou porque são grelhado com espargos e não gostam, nem aconselham a que se prove. Mas, na verdade há sempre potencial, e é bom quando vemos uma pessoa acreditar que sim, que pode ser diferente, que pode ir para melhor e que pode ter a oportunidade de ser admirada só com o tal 'hat on' e mais nada, nadinha, sem o mínimo problema. Eu acho que este pensamento do dia dedico-o à senhora que ao final do dia encontrei na casa de banho de um hipermercado com uma pinça enfiada dentro da boca, a tentar retirar um bocado de não sei o quê comestível que tinha ficado encravado entre dois dentes. A senhora estava atrapalhadíssima, para além de envergonhada com o cenário. Aproximei-me dela e perguntei-lhe se estava a conseguir tirar o objecto encravado com a tal pinça. Admirou-se da proximidade. Cheguei-me mais perto do espelho, espreitei para a boca dela duarnte uns segundos, depois afastei-me e disse: boa sorte aí com a pinça.
Penso que há sempre que ter sorte, nestes casos. Senti que a senhora continuou com o objecto encravado, todavia com uma ligeira sensação de que estar somente com o 'hat on', despida de artifícios e desculpas não é mau de todo, quando se é compreendido.

16 de fevereiro de 2009

Para sempre...Daniel-papel






Eram quase 7 horas da tarde, andava eu que nem um mini tornado às voltas no supermercado, à procura deste e aquele ingrediente, para preparar um jantarinho ao meu Daniel-papel, como lhe costumo chamar. Pois este menino que, no próximo Domingo já vai fazer 26 aninhos, é uma das pessoas de coração mais mole, mais querido e animado que tenho o privilégio de ter na minha vida. Desde a altura em que o conheci, andava ele de fraldas, até practicamente aos dias de hoje, o Daniel não mudou. Sim, deixou de usar fraldas, mas nunca deixou de usar este sorriso, como quem escolhe do guarda-fatos a roupa para usar todos os dias. Neste jantar, que serviu para combinarmos detalhes para a sua festa de aniversário onde, aproveitando o carnaval, toda a gente vai disfarçada de qualquer coisa, lembrámos tanta coisa divertida, como aquela festa de anos do Daniel em que o Daniel apareceu com uma toga e Cardoso-pai vestido de Capuchinho Vermelho. Como foi engraçado. Que grande festa, só entre amigos, pais e primos e tias e até o Popcorn, acho eu... o Pipoca era o famoso cão dos Cardosos que pensava que eu seria um bom osso para roer, ou melhor, para triturar. O cão a bem dizer, não me podia ver à frente. Era uma fera. Coitado, morreu outro dia, com mais ou menos a mesma idade que o meu Bob Lagosta (há nomes e nomes de cão, mas este.......), 16 anos. Recordámos também os bailes que se faziam aqui na terra, as beatas, o lobisomen de Aires (que se descobriu que existia mais ou menos por alturas em que apareceu o Professor Astromar, na novela Roque Santeiro), oh lembrámo-nos de tanta coisa. E o mais importante é que a conclusão foi a mesma: como foi divertida a nossa infância e adolescência, mesmo com coisas tão simples, sem nada de grandes tecnologias ou artifícios, apenas com um grupo de amigos (Sílvia, Celinha, Rita do Tonecas, João e Daniel Cardoso, Beatriz, Inês, Xaninha, Cola Cau, Adriana da Coxa Grossa e companhia...) que se divertiam e claro os nossos pais que nos chamavam aos berros (quando ainda se podia brincar na rua sem qualquer perigo): VENHAM JÁ JANTAR!
Oh, grandes tempos. Como foi engraçado. E como continuamos a dizer tanto disparate, mesmo tanto tempo depois. Este feitio já é crónico e quanto a isso não há nada a fazer. Brindemos! Aos Amigos para sempre!

P.S- A ementa foi picadinho à brasileira. Receita da minha amiga Aline. Valeu garota! ;)

15 de fevereiro de 2009

Amor em Banho-Maria





Há dois dias atrás resolvi meter-me numa aventura com aroma ao título de um dos filmes da minha vida: Chocolate. Ora se a protagonista conseguia andar de terra em terra, sem eira nem beira, com uma filha sem pai presente para criar, e ainda tinha inspiração para manter um penteado bem arranjado e fazer quilos e quilos de iguarias de chocolate, porque não eu conseguir tal proeza?... Meti-me então nessa grande aventura que é fazer bombons de chocolate, pela primeira vez na vida. Investiguei receitas na net, seleccionei a que me pareceu melhor e menos complexa, comprei os ingredientes e materiais para decoração e ala que se faz tarde, ou que se faz banho-maria, pois foi justamente por aí que começou a execução da minha receita, com o chocolate preto a tomar um belo de um banho-maria. Oh, como se regalou naquele banho de imersão o meu chocolate que, não resistindo às carícias de uma colher de pau, acabou por ficar completamente derretido. Entretanto, arranjei-lhe uma companheira, uma mistura à base de leite condensado, margarina e cacau em pó que, depois de aquecida, encaminhei para uma ala de spa de amêndoas com nozes e assim consegui deixá-la bonita e esfoliada. Quando esta mistura pensou que a sessão de tratamento já havia terminado, começou a esfriar e foi justamente nesse momento que ela ficou no ponto para as minhas mãos começarem a dar-lhe forma, a encorajá-la: vamos, não te atrapalhes, em breve encontrarás o companheiro perfeito para ti. A mistura pareceu compreender-me e facilitou-me o trabalho. Algum tempo depois, juntei-a ao chocolate e posso dizer que foi Amor ao primeiro contacto. O chocolate depressa se espalhou nesta mistura que, mal lhe sentiu o toque, solidificou em grande rapidez, para que jamais se separassem. Achei tão romântico que lhes dei como aliança um pedacinho de noz. Dali já não sai. Parece ter sido mesmo feita à medida, esta noz-anel. Para finalizar o enlace, dei uns laçarotes nos bombons com fita de cetim e protegi-os com papel celofane, que achei que tem ar da cor de um Amor que, à primeira vista, começou em banho-maria e que, aos olhos de Deus, será para sempre uma delícia.

13 de fevereiro de 2009

Idade-Avó


A propósito do triste caso de uns vizinhos meus velhotes que esta semana foram despachados em correio-expresso para um Lar-amargo-Lar, algures no Alentejo, apetece-me deixar umas palavras que, de alguma maneira misteriosa mas eficaz, gostaria que pudessem chegar bem ao centro do coração das criaturas que fizeram o despacho das encomendas. A idade-avó vem quando menos se espera. Desde sempre sabemos da existência de avós, especialmente dos nossos que, naturalmente, são aqueles que mais nos marcam e melhores lembranças nos deixam. O tempo vai passando mas raramente damos por nós a pensar na altura em que poderemos chegar a velhos. Quem pensa em ser velhote, quando lhe apetece beber um shot num bar e pensar que ali reside a força da vida, naquela energia repentina que queima e ao mesmo tempo parece revigorar-nos por dentro? Não sendo eu fã de shots (desde a prova do quase-mortífero Golden Strike há para aí mais de dez anos atrás), percebo a sensação que deve dar. E também percebo que não nos imaginamos um dia em estado-velhote, a massacrar a placa com trincas em bolachas-maria, num qualquer Lar-amargo-lar, quando hoje estamos a pensar somente na morte da bezerra, enquanto desfrutamos de um bom pires de caracóis ou daqueles fantásticos raios de sol numa qualquer esplanada. Nunca pensamos que um dia, deixaremos de pensar na morte da bezerra para pensar na nossa própria morte, coisa que não é necessariamente má ou deprimente, mas não dá muito jeito, especialmente quando nos vemos de uma hora para a outra profundamente menos novos, talvez mais debilitados, e sem aquela natural vontade de contar umas piadas. Nessa altura, quem nos ouvirá? Nem o nosso próprio ouvido está em condições de ouvir. Nem a cabeça de aturar a nossa própria voz. Por vezes nem se consegue aturar o próprio batimento do coração. Chegada essa altura, apercebemo-nos que não hipótese, envelhecemos mesmo. E foi de um todo. De cima a baixo, nas extremidades, por dentro e por fora. Estamos tão velhos que nem podemos com tanta velhice. Temos então duas hipóteses. Desistir, porque sim, porque já não apetece mesmo mais nada, ou continuar porque 'Ai! A velha 'tá parva!!, ia lá agora desistir... logo uma velha rebelde como eu!...Onde é que está um baralho de cartas, que eu vou já dar-te uma coça?'
Pois há sempre esta hipótese, que é a meu ver a mais positiva e a mais desejável. Mas é neste momento que entra o pormenor da questão de se conseguir lidar saudavelmente com a idade e com as mazelas que esta vai trazendo e deixando permanecer em nós. Para conseguirmos aceitar que sim, é normal ser velho e porque não, até divertido (não é bem só rir, só rir, mas acredito que também tem a sua piada) há que ter junto a nós alguém que nos ame, alguém que nos ajude a levantar os braços, as pernas e o astral mais um dia, ou a abrir de novo a boca para que lá entre um surpreendente beijo e não mais uma bolacha-maria. Há que ter alguém que nos acolha, que nos chame de pai ou mãe e que com isso se sinta feliz por ter o velho ou a velha ainda por perto. Há que ter alguém que nos ame, que nos ature, que nos apoie, que nos mude a fralda (se não for Dodot ou algo que diga 'Sensitive' ou 'Com Água de Rosas', eu como velha revolucionária não vou aceitar daquelas coisas enormes do Continente assim por dá lá aquela fralda!), que nos abrace, que nos leve onde seja preciso e que nos peça conselhos e histórias e memórias e tudo o que possamos e fazemos gosto de ainda partilhar.
No fundo, um dia, quando chegarmos a velhos, precisaremos que alguém nos diga: 'Metes-me uns nervos que sei lá!, mas fica aqui comigo, que estás muito bem.' E nesse dia, daremos graças a Deus por a idade-avó não significar a nossa própria experiência da morte da tal bezerra que nos deixou o pensamento a pairar, em clima de total despreocupação, nos verdes tempos em que não precisávamos de mais ninguém a não ser de nós mesmos e qui ça, do tal copo de Golden Strike ao som de 'Always look at the bright side of life'.

P.S- O Anjo da foto de hoje foi-me oferecido há dois dias atrás pela D.Odete, uma querida amiga de 76 anos que tem a sorte de ter uma filha que olha por ela, como um miúdo vê o Noddy ou coisa parecida.

11 de fevereiro de 2009

Dia dos Pais

O dia de hoje foi dia de receber novidades daquelas que nos aquecem o coração até ao ponto rebuçado. À hora de almoço, recebi a mensagem: 'Vais ser tia... beijinhos'. Antes de espreitar o nome do remetente, procurei imaginar qual dos meus amigos-irmãos me iria presentear desta vez com uma das notícias que gosto mais de receber, a chamada notícia-da-cegonha-a-caminho-e-a-toda-a-velocidade. Umas linhas à frente e confirma-se a suspeita: João Simões, é o pai, aquele que chamou a cegonha e de quem sou amiga do coração há quase 15 anos. Quinze anos, John! Pouco faltou para nos conhecermos no 25 de Abril!... Como o tempo passa, tinha eu 18 anos acabadinhos de fazer e tu quase trintão, homem. Vou ser mesmo obrigada a recorrer aquilo que não gosto nada de fazer, que é dizer ou escrever uma frase feita, mas por hoje fecha os olhos e finge que não percebes... cá vai: como a vida passa!
E como diz a minha amiga Enauê, 'tudo na vida passa, até a uva passa a passa. Tudo na vida é passageiro, menos motorista e trocador (cobrador)'. Oh, João, lembras-te quando o teu Pedro estava para nascer e perguntei qual o nome que tu e a Fátima dariam à criança. Alexandre,- respondeste. Mas isso tinha algum jeito? Alexandre assim por dá lá aquela palha. Oh, eu tinha de te dizer que só Alexandre O Pequeno, não tinha mesmo nada a ver com a versão original. E, como que por magia, em menos de um piscar de olhos o catraio passou de Alexandre para Pedro... Pedro Alexandre, ok... mas assim já ganhou a minha simpatia. É preciso ter lata para escrever isto, mas o que é que queres. Como tudo na vida, simpatias por nomes, fazem parte.
O Pedrocas cresceu de uma hora para a outra e, se num dia usava fraldas, no outro começou por se levantar do berço e ajudar o pai a plantar uma arvorezinha no jardim. O Pedro cresceu com vontade de ser uma árvore em forma de gente e agora abraça a mãe e o pai com os bracinhos em forma de galho florido e isso deixou-me feliz quando vi fazê-lo. Agora vem por aí mais uma plantinha, que toda a gente vai querer ver, pegar, amar. Uma daquelas plantas que deixa qualquer um plantado a olhar para ela, porque simplesmente sabe tão bem olhar para ela.

10 de fevereiro de 2009

Como nunca antes visto




E quando o sol resolve espreitar por um céu azul esplendoroso assim, do meio do nada, do meio de uma nebulosidade que se adivinhava duradoura e sobretudo, chata? É maravilhoso quando o sol nos apanha desprevenidos, quando o céu azul nos apanha de surpresa e o verde dos campos nos fazem lembrar as mais belas palavras de Ricardo Reis.
O sol é matreiro, é interventivo em alturas que não esperamos e é quente, quente como só ele sabe ser e nós nem por sombras ou por luzes conseguimos imaginar. O céu é mais calmo, mais ponderado, mas também quando está para aí virado é muito aberto a momentos de mágica epifania. A terra, para além de redonda, dá jeito quando fica com ar de ser somente uma enorme extensão feita de todas as coisas, feita inclusive de raios de sol e céu em tom azul-mar. E por falar em mar, o mar não só reflecte o sol, o céu e a terra, como também é capaz de ficar horas a flutuar sobre si mesmo, apaixonado pelas coisas mais simples que vê em si reflectidas, e que, gota a gota nos atira, de mansinho ao coração e à alma, como nunca antes visto.

6 de fevereiro de 2009

57 anos de Amor

Cinquenta e sete anos de Amor. Se calhar dava um bom título para um livro, mas por enquanto é o título do post de hoje que também tem a ver com tudo o que diz respeito ao Amor e, particularmente ao Amor que se consegue prolongar porque é mesmo dele prolongar-se e ir além fronteiras, além idade e além planeta. Há amores assim e este tem cinquenta e sete anos. Enviei um postal ao feliz casal e que feliz fiquei quando me disseram que o postal havia provocado neles ainda mais felicidade. Há postais que dizem tudo em praticamente uma frase, mas há também Amores que partilham muito em praticamente um trocar de olhares. A partir daí, é simplesmente maravilhoso. A partir daí é simplesmente uma partilha para o bom e para o pior sempre, sempre, sempre em perfeita comunhão de corações. E é precisamente isso que eu gosto tanto no Amor... essa ideia de que finalmente se encontrou a alma gémea e não só por um bocadinho, ou só para quando apetece amar, mas para qualquer momento, para qualquer estado de alma ou de coração, qualquer mal estar ou quebrar-em-caso-de-emergência. Cinquenta e sete anos de Amor dava, de facto, um bom título para um livro e para a vida que se adivinha em conjunto, basta acreditarmos com muita fé e querer na expressão 'até que enfim'.

3 de fevereiro de 2009

No coração de África

Recebi hoje um postal do meu amigo João Bernardino que, quando há umas semanas se despediu de mim para regressar a Luanda, prometeu que sim, desta vez iria tentar tudo por tudo para me enviar um postal pelo correio normal. Eu sempre gostei de receber cartas e postais e encomendas e coisinhas por correio e também me faltava um postal de África, para compor a minha colecção de postais. Este postal que o João me enviou cheira a terra distante, tem dois selos coloridos do tamanho de dois elefantes e tem também lá escrito que vou ter de ir lá conhecer "os encantos da cidade e do país". Vou manter isso em mente, João. Um dia faço-te uma visita, mas vou chegar aí à minha maneira, está bem?, montada num elefante, talvez mais pequeno do que qualquer um destes selos, vou usar um chapéu com a rede de um mata-moscas que tenho aqui em casa e vou, possivelmente agradecer, bem no meio do coração de África, ter um amigo assim, com tão bom coração, como tu, querido João.

Cogumeloólica

Ultimamente, só me apetece comer cogumelos. Para além dos pratos de massa com cogumelos, de pizzas com cogumelos, de ontem ter jantado fora e pedido um prato de bifes de vitela, com cogumelos, hoje tenho para jantar esta tarte de espinafres e........ cogumelos. Eu sempre disse e mantenho que caso um dia me fosse dado a escolher um prato para comer para toda a eternidade, escolheria sem sombra de dúvidas uma travessa de caracóis. No inverno, sinto a falta dos bichos, mas agora que penso melhor, talvez no meu inconsciente um cogumelo seja um género de caracol sem casca. Daí este desejo que não consigo contornar, de comer cogumelos atrás de cogumelos. Enfim... podia dar-me para beber vinho tinto, caso o meu inconsciente confundisse o tom castanho do vinho com a cor de leite com Nesquik, por exemplo.

Happy Together - A confirmação

Há coisas que não se explicam e não vale mesmo a pena tentarmos, caso contrário pomos a mão em algo verdadeiramente especial e ainda pode manchar. Uma pequena nota ao post anterior. Logo após ter escrito o post, encostei-me à cadeira, olhei para o Alto e pensei: Estás bem, Bruno. Tenho a certeza disso.
E nisto a luz do candeeiro piscou e, segundos a seguir a isto toca o telemóvel e recebo mensagem da L. que acompanhou o Bruno até bem perto do momento da sua partida e que me enviou uma mensagem de agradecimento à mensagem que lhe enviei para tentar aliviar a sua dor. Dois sinais, no espaço de escassos segundos. Não pode ter sido simples coincidência. Foi de facto a confirmação: estás bem, Bruno. Deus recebeu-te com um grande abraço. Valeu o aviso :)

Happy together


Quem é que não gosta de ouvir uma canção 'boa onda'? Quem é que não gosta igualmente de se sentir em clima 'boa onda? Pois claro, é capaz de ser grande parte da humanidade. A música que me tem acompanhado desde ontem é esta 'Happy together', uma canção dos Turtles, mas que em versão Marretas dá aquele toque especial que eu tanto gosto. Está bem, é infantil, mas ainda outro dia li na Bíblia que o céu tem um espírito de criança, um espírito de menino Jesus. E não é que eu acredito mesmo nisso? Acredito que lá pelas bandas mais celestes há um espírito enorme de brincadeira, de palhaçada, de gente aos pulos e de mãos dadas a imitar os marretas ou o Plastic Man, ou a Ana dos Cabelos Ruivos, ou a vizinha do lado que acabou mesmo agora de 'bater as botas' mas sim, também teve a sorte de lá entrar, porque também sempre teve uma pontinha de menina traquina no olhar, nas acções e nos sentimentos.
Oh, este post de hoje, é sobretudo dedicado ao Bruno que ontem à tarde se juntou a todas as criaturas celestes que pelo céu andam a cantarolar em grande felicidade. O dia de sol de ontem foi uma celebração, toda ela dedicada à recepção do Bruno. O sofrimento terminou e agora: E para o Bruno não há nada, nada, nada? TUDO!
Tenho a certeza que está com Deus, com os seus que há muito não via e com todos os que com ele a esta hora cantam: WE'RE SO HAPPY TOGETHER!
Descansa em paz e alegria, Bruno. :)

1 de fevereiro de 2009

56 minutos

Em 56 minutos dá para pensarmos na nossa vida inteira, falarmos dela de maneira mais ou menos subtil e, principalmente falar do que está para vir. O desconhecido pode ser maravilhoso quando em 56 minutos falamos nele sem pensarmos no que para trás ficou e mais ou menos nos marcou. Lembro-me de uma velha e sábia frase que o meu amigo João S. introduziu um dia ao meu conhecimento e coração: quando alguém nos bate à porta não perguntamos quem foi, mas sim quem é. Quem é, soa-me mais ou menos como está lá?, ao invés de, esteve lá?. Eu estou, eu sou, eu quero e eu desejo. Desejo o melhor, desejo que os meus sonhos, os mais secretos e os já anunciados se concretizem. Desejo entrar de novo naquela pequenina igreja e voltar a sentir aquela paz, aquele aconchego e aquela companhia ao meu lado. Desejo sentir este novo ano como se andasse de baloiço, com os cabelos curtos e a franja para cá e para lá a afagarem-me a cara e os sentidos. Desejo que venha logo a Primavera, que venham dias de Coca Cola numa esplanada e travessias a pé numa ponte algarvia. Desejo ver o mar todos os dias, quando sentir o cheiro a maresia que só algumas palavras me fazem sentir. Desejo sentir o sol na minha pele e imaginar que nasci amarela e com raios à minha volta que servem para aquecer as pessoas que mais amo e outras que virei a amar.
Desejo viver assim. Desejo viver mais. Desejo viver feliz. Desejo que estes 56 minutos permaneçam em mim para todo o sempre. Até mesmo para lá do sol, que só por hoje se reformou, para me deixar assim, amarela-aos-raios-laranja.

31 de janeiro de 2009

Tachos e pratos






O bolo de banana à moda de cabo Verde extinguiu-se em menos de 24 horas. A minha irmã provou a antepenúltima fatia, os meus pais as duas últimas. Agora quero experimentar o mesmo bolo mas com rodelas de ananás, como me sugeriu um amigo. É bem capaz de sair igualmente uma delícia. Entretanto, o jantar de hoje foi uma massa com um aroma de vinho da Bairrada que também animava a vista de qualquer convidado. Por falar nisso, o meu primo David que anda sempre por aqui a ler as minhas aventuras, sabe que já tem lugar marcado na mesa para a semana que vem. Entretanto, sempre que puder, vou experimentando a arte de fazer umas sobremesas para que a vida e o ambiente à minha volta continue desta forma, doce...