
Depois de um dia longo, muito longo, preciso de um pouco de tempo para mim, só para o meu descanso e só para esticar os pés e sentir-me completamente à vontade. Aproveito e estico as ideias que me passam pela cabeça e depois dá em coisas fantásticas como pensar naquela vez em que me apercebi que ao colocar os talheres no escorredor da loiça tive pena quando vi que uma colherzinha de chá tinha sido colocada numa outra divisão do escorredor que não era a mesma onde estavam todos os outros talheres. Apercebi-me da tristeza de deixar a colherzinha ali sozinha, abandonada... peguei nela e coloquei-a junto de outras colheres, nomeadamente entre duas colheres de sopa, porque achei que estas dariam bons pais para aquela colher tão pequena e indefesa. Sequei o lava loiças com um pano, coloquei o pano em cima da loiça e dos talheres e pensei que sabe-se lá até que ponto qualquer coisa, até mesmo a mais inanimada não precisará de companhia e de estar numa qualquer posição de harmonia. Pensei nisto. Pensei nas colheres. Pensei em mim. Pensei na insanidade e nos corações moles dos simples. Pensei também que se a minha vida fosse tomada por uma colher, que fosse por uma colher bem cheia de gelado com sabor a menta e chocolate. E não é que foi? Deus, a pequena colher e os familiares talheres ouviram-me. Pelo menos é o que sinto, sinto que fui ouvida e abençoada, sobretudo nesta altura em que me sinto tomada por sentimentos de extrema felicidade.



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