6 de março de 2009

Descansa em Paz e Alegria, Afonso

Ainda ontem, quando passei por aqui, olhei para ti, Afonso. Pensei que passados dois meses, é ridículo quando uma pessoa passa a ser de repente, só uma foto, uma imagem de alguém. Pensei em ti, sem te conhecer, sem ter alguma vez falado contigo, ouvido o teu riso, o teu timbre de voz ou conhecido os teus gestos, tiques e manias. Pensei em ti. Talvez me tenhas dado um sinal de que havias partido e alcançado, finalmente, a paz e o descanso. Soube notícias tuas há pouco. Encontraram o teu corpo num rio, em Berlim. Imagino o sofrimento da tua família, amigos e companheiros que rezavam por ti e que alimentavam a esperança de um dia regressares bem a casa. Imagino a sua dor, o seu desespero e a sua tristeza. Imagino que o dia de hoje, cheio de nuvens lhes traga ainda mais neblina e vazio aos corações. Mas há qualquer coisa em mim que me diz que, por alguma razão muito forte e, que o coração de qualquer um de nós não consegue conceber, partiste porque assim tinha de ser. Desconheço as razões do Alto, para essa partida inesperada e tão súbita, mas há mesmo qualquer coisa que me diz que estás aí porque Deus precisava de ti, com urgência e para pores em prática algo incrivelmente bom. A tua missão era afinal uma outra, eternamente especial. Paz à tua alma, Afonso e um beijinho com todo o meu coração virado para o céu, que sei que te acolheu com todo o Amor e alegria.

"Natural de Oliveira de Azeméis, Afonso Tiago, de 27 anos, foi visto pela última vez às 03H40 da madrugada de 10 de Janeiro, junto da estação ferroviária de Ostbahnhof, Berlim, onde se despediu de um amigo, dizendo-lhe que ia a pé para casa, a cerca de 15 minutos de caminho, mas nunca lá chegou."

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